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Archive for the ‘Diário de bordo – Graça’ Category

Sinto que o nosso trabalho agora tem mais consistência, mas isso é pra mim particularmente, pois consistência esse trabalho sempre teve, desde a idéia, só que agora eu sinto isso no meu corpo. Consigo repetir algumas frases, sem sentir tanto incômodo. Ontem, assisti a apresentação de um trabalho do Curso Dança e Pensamento e escutei uma coisa que tem tudo a ver com o nosso trabalho,  …“o segredo é  repetir, repetir, repetir, até ficar diferente”… Sinto o nosso trabalho em outro estágio. Conseguimos  ver os movimentos e acrescentar ou por outras coisas neles.

Andréa falou uma palavra hoje que foi definitiva pra mim: d e l i c a d e z a. Isso foi um “clic” nesse trabalho, e foi isso que me indicou a direção de um caminho. Outra coisa muito importante e de extrema relevância foi a necessidade do “estar presente”. Fundamental. Estar presente pra não perder o fio da meada. Sinto como uma concretização do trabalho. Quando digo isso não sinto “trabalho pronto”, até porque ele não ficará pronto, mas eu sei o caminho a seguir. Sei também que vou me perder mil vezes nesse caminho, o importante é ter essa consciência de se perder e se achar, ter a consciência, mas, não a certeza, porque nada é certo, tudo pode mudar sempre. Eu adoro isso e muito mais adoro sentir isso de forma verdadeira. Não é só na palavra é no próprio sentido. Isso é só o começo, mas que bom que chegamos ao começo!! E com tudo isso, eu tenho que tomar cuidado pois sei que tenho a maior facilidade para automatizar  o movimento e isso perde o sentido, o caminho, perde tudo. Já sei que por muitas vezes vou ter que começar.  Mas, isso é também, muito bom!

Graça

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Trabalhamos muito e eu senti que o resultado foi muito bom. Chegamos  na sala eu e Sâmia e iniciamos o trabalho. Fiz o exercício de respiração e iniciei alguns exercícios corporais que havia feito no encontro anterior, estamos quase numa partitura ou um pedaço dela. Partimos do que foi elaborado no encontro anterior. Repeti várias vezes, sabendo (não com muita consciência), que nunca fazemos o mesmo exercício duas vezes. Eu já sei disso, entretanto  meu corpo ainda parece duvidar dessa consciência, pois fica sempre beirando a busca de experimentações  novas. Mesmo assim, me forço e me esforço a repetir. Isso é um exercício pra mim.

Quando Andréa chegou, (nem percebi, pois estava trabalhando de olhos fechados). Fico impressionada como ela anda leve, ninguém percebe. Acho incrível! Conversamos um pouco sobre o trabalho e passamos para outras experimentações depois de repetir bastante os movimentos anteriores.

Uma coisa nova!!!! Hoje,  através dos meus movimentos, eu consigo me remeter à Cultura Popular Tradicional. Anteriormente, nesse trabalho eu só conseguia sentir o Flamenco, por mais que Andréa identificasse os movimentos das danças folclóricas, eu não conseguia sentir. Hoje, isso é muito claro tanto na minha cabeça quanto no meu corpo.

Nesse trabalho de hoje, pensei em várias manifestações da Cultura Tradicional, pinçando um gestual daqui, um movimento dali, chegando a seqüenciar algumas frases. Trabalhamos muito e gostei bastante. Começo a me divertir de novo. Esse trabalho não tem mais peso pra mim. Comecei a brincar, lembrando os brinquedos cantados, as brincadeiras de roda, movimentos da dança do Coco, dos Orixás e do Maracatu. Atentei que todas essas manifestações têm origem africana (negra), mas isso foi por acaso, não tive a intenção, tudo partiu de movimentos com mãos na cintura. Depois disso passei por alguns movimentos da dança do São Gonçalo e Cana Verde que têm origem portuguesa (branca), não houve uma organização de pensamento, foi acontecendo e de repente acredito que achamos o caminho. Sinto-me extremamente satisfeita nesse instante.

Graça

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O trabalho será um pouco diferente, hoje. O encontro é comigo mesma. Farei o trabalho,  sozinha. Propus-me a isso desde o encontro passado. Cheguei na sala às 8:45h. Não sei quanto tempo vou permanecer. Como estou sozinha, vou inverter um pouco o processo e comecei escrevendo. Estou nesse momento andando na sala, sentindo os pés no chão demoradamente a cada passo, como que tentando absorver algum movimento impregnado nesse chão. Trouxe um cd, mas não tenho vontade de usá-lo. Trouxe os objetos pessoais, mas também não vou usá-los. Continuo andando.

Avistei um telão branco enorme do outro lado da sala, do tamanho da parede. Aproximei-me e sentei-me no chão diante dele. Olhei, olhei, olhei…. Pensei que aquele espaço branco é cheio de possibilidades e podem conter as mil cores de Salvador Dali. Ele sabe se movimentar muito bem. Ele se deixa levar pelo vento e faz movimentos perfeitos. O tecido dança dentro da tela, sem precisar sair dela e mesmo assim, tem uma movimentação muito rica. Ele se movimenta em todas as direções.

Comecei o meu exercício de respiração. Ao terminar o exercício de respiração abri os olhos e deparei-me com o teto. Pela primeira vez em tantos encontros, olhei para o teto da sala. Pensei que relação ele poderia ter com a minha dança. Levantei-me e dei alguns saltos em direção a ele, é lógico que eu sabia que não iria alcançar, isso era apenas um movimento e uma intenção.

Pensei nos sons do encontro passado e me detive a escutá-los. De repente, achei muito interessante o ranger de uma janela que estava sem apoio para segurá-la. Parei nesse som e também no movimento daquela janela que ia e voltava, ao som do vento. Resolvi seguir o movimento da janela, que seguia rangendo num balancê de ida e volta. Ora ritmado  pra lá e pra cá, ora ia e demorava a voltar, dependendo do ritmo do vento. No chão, segui o vai e vem a janela. Por vezes ela ía e meu corpo ía, meu corpo voltava e ela ficava. Fiz isso por um longo tempo. Quando olhei a hora, só tinha passado dez minutos. Não acreditei. Achei que tinha se passado tanto tempo e só havia passado dez minutos! Comecei a ficar impaciente. Andei de novo pela sala e vi uma corda pendurada, do teto até a porta que dá para o jardim, amarrada  para exercícios com tecido. Pendurei-me nela para me balançar. Não agüentei. Minhas mãos doeram muito. Como os meninos conseguem fazer isso? Fiz mais alguns movimentos de pé. Aqui e ali achava sem sentido. Eu sei que os movimentos não precisam ter sentido. Senti vontade de parar, embora a janela continuasse a dança dela, indo, vindo e rangendo. No final das contas, hoje foi melhor que a última vez em que fiz o trabalho sozinha.

Graça

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Em nosso encontro de hoje conversei um pouco com Andréa e ela me deixou na sala para que eu começasse o  trabalho.  Amontoei meus objetos em um canto da sala e fiz o meu costumeiro exercício de respiração. Adotei esses exercícios de respiração para minha vida, me faz muito bem. Depois escolhi um objeto para trabalhar, uma mantilha de renda vermelha. Não planejei, simplesmente escolhi. Fui surpreendida por Andréa, a me fazer uma observação. Eu estava trabalhando o objeto seguindo a fluidez do tecido. É como se eu tivesse colocado meu corpo em segundo plano. O tecido estava levando meu corpo e não o meu corpo levando o tecido. Deixei a mantilha para lá e continuei meu trabalho corporal.

Quase no final do encontro, Andréa me fez uma proposta nova, um novo desafio. Trabalhar todos os movimentos que eu já absorvera, dançando.  Trabalhar nesses movimentos, a velocidade, tônus muscular, etc. Ela me deixou sozinha e eu me propus a trabalhar por trinta minutos. Imediatamente ao iniciar o trabalho, veio o juízo de valor, “o que fazer?” Continuei trabalhando, mais por disciplina do que por vontade. Foi uma meia hora muito longa. Senti o tempo inteiro, a sensação do “não sei fazer”. Senti muita dificuldade. Senti dificuldade até para descrever a sensação.  Mas fiz, não sei o quê.

Graça

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Nosso encontro, hoje, foi um dos melhores pra mim, senti alimentado o meu espírito com a conversa que tivemos, eu, Andréa e Sâmia. Só conversamos, e não precisava  ter acontecido nada mais, pois nosso encontro foi pleno. Conversamos sobre autonomia e hegemonia. Na verdade, hoje senti muita vontade de vir, como que prevendo que ia ser muito bom. Troquei os objetos pessoais por outros. Cheguei, sem planejar nada, intuindo que o encontro seria bom.

Começamos uma conversa muito agradável. Falei sobre o incômodo que Andréa sentia em relação a autonomia, que eu supostamente deveria ter, já tínhamos discutido sobre isso no encontro anterior. O que ela (Andréa) sentia como submissão, eu interpreto como excesso de confiança e admiração, o que me faz querer que ela aponte algum caminho para eu seguir.

Ciente dessa situação,  sinto que talvez isso me afaste um pouco da “brincadeira”. Quando digo isso,  refiro-me a assumir uma dose maior de responsabilidade, o que causa o referido afastamento, ainda que por um certo tempo, até que todo o meu ser absorva e relaxe outra vez.

Preciso dizer que esse trabalho sempre foi muito desafiante para mim, desde o início, o que significa que a “brincadeira” a que me refiro não se trata de “pão e circo” (plagiando a expressão da Andréa). Falo da brincadeira que  contempla o brincante, o tempo de fazer algo para si próprio.  Isso acaba quando temos que administrar a  liberdade que é conferida aos nossos fazeres.

Falamos ainda de uma expressão que ficou em minha cabeça: “limpar a dança”. Quando faço qualquer trabalho coreográfico e passo para os dançarinos, uma vez absorvida por eles, uso o termo, limpar a coreografia. O que é esse “limpar”?  Que assepsia precisamos fazer em uma coreografia? Isso me fez pensar muito. Pois a nossa limpeza trata de deixar todo mundo igual. Para onde vai  a particularidade de cada um? Não limpamos (pelo menos eu) pensando em deixar cada um se apropriar da coreografia do seu jeito, pelo contrário,  tiramos todas as singularidades de cada um. Estou realmente pensando nisso.

Graça

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Hoje foi como um recomeço para mim, em relação ao nosso    trabalho. A conversa do encontro passado reverberou profundamente em mim.  No meu pensamento e consequentemente no meu corpo. Senti concretamente que aconteceu uma transformação.  Ao chegar em sala, dispus meus objetos em círculo, não foi planejado, simplesmente dispus assim, e me coloquei dentro dele. Nesse momento estou pensando que a falta da música não me incomodou nem um pouco. Nem senti, só agora que estou escrevendo, estou pensando nisso.

Não senti dificuldade de me auto-conduzir hoje. Ao contrário, foi tudo muito natural e tranqüilo, até certo tempo. Foi uma hora e pouco de trabalho, não senti que havia passado tanto tempo, entretanto, no final, eu já estava com aquela sensação de: “o que eu faço agora?” Experimentei bastante o meu corpo hoje.  No final de uma hora Andrea me fez uma proposta de movimento a partir das  linguagens impressas no meu corpo: Flamenco e Folclore. Ela identificou nos movimentos anteriores, essas linguagens nos meus movimentos, ora Flamenco, ora Cultura Popular Tradicional. Eu não consigo identificar nada disso. Os meus movimentos não me  remetem  nem ao Flamenco nem à Cultura Popular, pelo menos eu não penso nisso, enquanto me movimento.

Senti muita dificuldade de começar a elaborar  a proposta da Andréa. Finalmente, comecei optando pelos movimentos de Flamenco. Pouco tempo depois senti vontade de parar. Nada me remeteu ao Folclore. Um novo desafio à vista.

Graça

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Hoje eu senti  que houve uma evolução  do ponto de vista do meu pensamento em relação ao nosso trabalho, que por sinal conscientemente não estou nesse momento chamando de “aula’.

Eu trouxe alguns objetos de uso pessoal para o nosso “encontro”: (não sei porque pus aspas na palavra encontro, acredito que ainda está meio ensaiado), um chale, um leque, um par de castanhola, um par de brincos vermelhos de pedra , uma flor de por no cabelo e uma maquiagem. Todos esses objetos possuem um certo valor  estimativo. Ah! E uma bolsa linda, que ganhei  hoje, vermelha, bordada com brilho. Eu adooooro brilho!

Bem o trabalho foi diferente. Eu me  conduzi, quase todo tempo. Arrumei meus objetos (concluímos que a disposição que dei pareceu um altar) e comecei o processo de respiração. Eu gosto disso, é um momento que entro em contato comigo mesma. A partir daí fiz todos os movimentos, que por mim mesma decidi fazer. Houve muito pouca interferência da Deinha. Claro que, inicialmente eu me senti muito travada e cautelosa, sem saber direito o que fazer. Fiquei surpresa no final, quando Andréa falou que já havia passado mais de uma hora. Não senti o tempo passar. Isso é muito bom, porque de certa forma, depois do entrave inicial, o processo fluiu. Ainda sinto dificuldade de me movimentar, sem nenhuma condução. Não sei o que fazer direito.

Quando sentamos para conversar, Andrea colocou uma questão que me deixou bastante pensativa.  Ela usou a palavra hierarquia, que eu, inconsciente e também conscientemente tento imprimir nos nossos encontros. Ela é muito generosa e vê isso como um ponto a ser pensado. E ela tem razão. Então estou aqui com um enorme desafio na minha frente de exercer a minha autonomia nos movimentos.

Sâmia, que está trabalhando como assistente no nosso projeto,  me perguntou se eu em alguma hora não sentia vontade de pular… Clic!!!! Palavra chave. Eu estava pensado no que posso fazer e Andrea  (parece que leu meu pensamento) perguntou, será que você pensa no que pode ou não pode fazer? E eu estava quase pensando :  e eu posso pular? Isso foi muito bom!

Vou sair daqui com muita coisa pra pensar. A palavra que mais ficou em mim foi autonomia. Vou pensar nisso.

Graça

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